Cirurgia Plástica |

ago/10

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Os cirurgiões de mama podem ser tão qualificados quanto os radiologistas para avaliação de mamografias

O Dr. Justus Apffelstaedt (Professor Adjunto de Cirurgia e Chefe do Serviço de Mama da University of Stellenbosch, na África do Sul) e seus colaboradores, após revisarem 10.020 mamografias realizadas por cirurgiões em um centro de saúde sul-africano especializado em doenças da mama, disseram aos participantes da 11ª Reunião Anual da American Society of Breast Surgeons (ASBrS) que “com a formação adequada, os cirurgiões de mama podem interpretar uma mamografia primária de forma bastante precisa”.

De acordo com uma declaração da ASBrS, há escassez de médicos radiologistas em muitos países “especificamente treinados para a interpretação de mamografias com a frequência necessária para a precisão máxima” (inclusive os Estados Unidos).

O estudo do Dr. Apffelstaedt estaria indicando uma solução potencial para a escassez de radiologistas mundo afora.

O Dr. Apffelstaedt e sua equipe criaram um banco de dados com todas as mamografias realizadas entre janeiro de 2003 e junho de 2009 em seu serviço especializado em doenças da mama com o intuito de analisar a precisão das interpretações das mamografias primárias feitas pelo cirurgião.

Em cada caso, foram coletadas as seguintes informações: idade da paciente; a indicação para mamografia; a história de terapia de reposição hormonal e sua duração; história de cirurgia de mama prévia; resultado da mamografia; características de anormalidade; localização e o resultado do exame histopatológico final.

Os casos confirmados de câncer foram inseridos em um banco de dados separado, juntamente com os resultados da histopatologia e com as informações sobre o tratamento.

Os cirurgiões obedeciam às diretrizes convencionais para estabelecer quais as indicações para o rastreamento por mamografia: mulheres pelo menos 40 anos de idade, sem nenhuma história pessoal de câncer de mama e necessariamente assintomática.

Foram realizadas 4.177 mamografias entre mulheres com idade entre 40 e 49 anos. A taxa de reconvocação foi de 4,3% e a taxa de biópsia foi de 1,7%. A taxa de diagnóstico de câncer foi de 4,1 para cada mil exames e a malignidade das biópsias foi de 23%.

Já nas mulheres com mais de 50 anos, foram realizadas 5.843 mamografias. A taxa de reconvocação neste grupo etário foi de 5,0%, com taxa de biópsia de 2,3%. A taxa de diagnóstico de câncer foi de 11,5 para cada 1000 exames e 49% das biópsias realizadas apresentaram resultado maligno.

Dos cânceres detectados, 36% eram in situ ou invasivo e 85% não apresentavam linfonodos acometidos; o tamanho médio do câncer invasivo foi de 11,9 mm.

O Dr. Apffelstaedt atribuiu o sucesso dos seus cirurgiões a uma série de fatores, tais como a formação especializada e ao fato de estarem em uma “posição estratégica” para obter as informações sobre os resultados e poder agir imediatamente.

Ele comentou ao Medscape General Surgery: “como cirurgiões, somos especialmente questionados sobre a interpretação de uma mamografia. Obtemos um resultado imediato, fazemos o nosso diagnóstico, fazemos uma biópsia e, então, obtemos uma conclusão sobre este diagnóstico, muitas vezes em um prazo de 48 horas”.

A Dra. Deanna Atai, Diretora do Center for Breast Care de Burbank, na Califórnia, diplomada pelo American Board of Surgery e Presidente do Comitê de Comunicação da ASBrS, acrescentou que “existem inúmeros exemplos cirurgiões que detectam anormalidades em uma mamografia que não foi detectada pelo radiologista. Isto não quer dizer que eu tenha alguma coisa contra os nossos colegas radiologistas”.

Ela também acredita que os cirurgiões de mama são tão qualificados para interpretar mamografias – desde que com a formação adequada – quanto os radiologistas; e salientou ainda que “os cirurgiões fazem mais do que operar.

Interagimos com as pacientes e temos mais noção de sua história e dos seus problemas”. Estas vantagens podem fazer com que os cirurgiões se tornem mais conscientes das questões exclusivas de um determinado paciente; o que não acontece com os radiologistas, pois geralmente não são considerados como médicos assistenciais.

A Dra. Atai disse ainda ao Medscape General Surgery de que de fato existem muitas áreas nos Estados Unidos e em todo o mundo onde “você não pode realizar uma boa mamografia ou obter um bom laudo.

O Dr. Apffelstaedt concordou e disse, durante uma conferência de imprensa realizada para anunciar os seus resultados, que “a transferência do papel de interpretação da mamografia, de radiologistas pra cirurgiões de mama treinados, pode ser benéfica quando não houver radiologistas especializados em mama disponíveis”.

Ele observou ainda que “os cirurgiões de mama são uma fonte altamente qualificada para a emissão de segundas opiniões”, e que encoraja seus pacientes a tirar proveito disso.

Fonte: Medcenter

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